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Pensamento como pré-escrita
19 SET 2019
Oradores:
Frei Bento Domingues
Lídia Jorge 
Moderação: Luísa Meireles


É no hemisfério da profunda interioridade do pensamento que primordialmente se impõe a realidade. Com ela historicidade, memória, reminiscência. O primeiro momento de percepção é ainda pré-elocutório: o objecto torna-se presente nas sensações mediante a impressão. O intuito colhe-o sem que a razão o julgue. É neste instante noético que os múltiplos conteúdos e modos sensoriais assomam a priori de forma apenas visível interiormente. Pela sua pré-existência, o objecto fala ao sujeito antes que o sujeito fale o objecto. E porque o pensamento tem na fala o seu maior instrumento, os sentidos incitam a linguagem a encontrar acesso à entidade que, ainda não falada, é apenas mistério. Pela fala entende o pensamento o que vê e diz o que entende. Mas quanto mais o fala, mais o espanto primevo, uterino, se fragmenta. Então o mistério esvanece tomado pela razão porque todo discurso é sempre limite. Poderá na Arte, mormente na Poesia, permanecer oculta a transcendência do ser falado, dado que na palavra poética a coisa é todas as coisas  em si?  E qual o lugar de Deus depois da banalização repetida do seu nome, depois da fala ladainha que, ao invés da Revelação, o verte?

Pedro Abrunhosa

LÍDIA JORGE escreve ficção, romance e conto, ensaio, teatro e crónica que publica em diversos jornais do país. O seu primeiro romance, O Dia dos Prodígios, foi publicado em 1980, o último, Estuário, um livro sobre a vulnerabilidade do Mundo contemporâneo, saiu em Maio do ano passado.  Os seus livros estão publicados em vinte línguas. Actualmente, colabora com a RDP, Antena 2,  onde é responsável pelo programa Em Todos os Sentidos.
LUÍSA MEIRELES nasceu em Angola. Licenciada pela Faculdade de Direito de Lisboa, abandonou a advocacia ao fim de 10 anos para se dedicar por inteiro ao jornalismo em 1989, data em que começou a trabalhar de forma permanente no jornal Expresso. Tem uma pós-graduação em Estudos Europeus pelo Instituto de Estudos Europeus da Universidade Católica de Lisboa e o curso de auditora do Instituto de Defesa Nacional. É membro do Centro de Estudos Eurodefense-Portugal e da Association Euromed- IHEDN (Institut des Hautes Etudes de Défense National).
Como jornalista, cobriu como enviada especial os anos do fim da União Soviética e a transição de regimes em todo o centro e leste europeu, incluindo as guerras dos Balcãs. Especializou-se nas áreas de Defesa e Segurança e Assuntos Europeus. Foi editora de Internacional do jornal Expresso entre 2000-2006 e, entre 2006 e 2018 Redatora Principal na secção de Política deste jornal. Em outubro de 2018 assumiu o cargo de Diretora de Informação da agência Lusa.
Publicou o livro «E Depois do Iraque?», em parceria com o General Loureiro dos Santos (2003), bem como "General Loureiro dos Santos - uma biografia" (2018).
Frei Bento Domingues, O.P., (Basílio de Jesus Gonçalves Domingues), nasceu a 13 de Agosto de 1934, em Travassos (Vilar – Terras de Bouro). Entrou para o Noviciado na Ordem dos Pregadores (Dominicanos) em 1953. Estudou Filosofia e Teologia em Fátima, Salamanca, Roma e Toulouse. Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade do Minho, em 2019.

Como Assistente da Juventude da Igreja de Cristo Rei (Porto), em 1962 e 1963, foi responsável pela exposição, O mundo interroga o Concílio, que levantou uma grande celeuma no Porto e foi encerrada pela PIDE, no 1º de Maio de 1963. Frei Bento Domingues foi obrigado a abandonar o País.
Nos anos 70, foi longamente interrogado pela PIDE-DGS, na António Maria Cardoso, pela sua pregação numa missa para crianças, interpretada como um ataque à guerra colonial.

Dedicou-se ao ensino e à investigação teológica desde 1965: foi professor no Studium Sedes Sapientiae (Fátima), no Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET/Lisboa), no Instituto de Psicologia Aplicada, no Centro de Reflexão Cristã (CRC), na Escola de Educadoras de Infância – Maria Ulrich – e director do Instituto de S. Tomás de Aquino.
Participou com D. Luís Pereira, Bispo da Igreja Lusitana, na primeira Conferência Ecuménica, em Portugal, organizada pela Cooperativa Pragma.  
Fez parte da equipa da tradução portuguesa da revista internacional, Concilium, a partir de 1965, e participou nos colóquios Concilium.

Tomou parte em várias iniciativas de carácter cívico: no lançamento da publicação clandestina, Direito à Informação; pertenceu ao secretariado da Comissão Nacional de Socorro aos presos políticos, do Comité Português Pró-Amnistia Geral no Brasil; foi membro do Conselho Nacional de Imprensa. É membro do Fórum Abraâmico.

A introdução que fez à Segunda Assembleia Livre de Cristãos de Lisboa (7 de Maio, 1974) e à Primeira Assembleia Livre de Cristãos do Porto (9 de Maio, 1974), assim como o texto, A Igreja e o 25 de Abril e a entrevista, A Igreja pode colaborar na Democratização, (Junho 1974) foram considerados, nos meios cristãos, textos de referência para uma Igreja livre num País livre. Cf. Textos Cristãos. 25 Abril. Novembro 25, Ulmeiro, Lisboa, 1977, pp. 22-24; 146-159; 194-200.
Foi um dos oradores do primeiro encontro dos Cristãos para o Socialismo.

Durante a década de 80 colaborou, na área da Teologia da Inculturação, em cursos de reciclagem de missionários e na preparação dos Animadores de Comunidades cristãs em várias dioceses de Moçambique.
Ensinou Teologia no Seminário Maior de Luanda (Angola), no Centro Bartolomé de Las Casas (Cuzco – Perú) e na Universidade S. Tomás de Aquino (Bogotá – Colômbia). 
Participou na configuração do Centro de Pedro de Córdoba (Santiago do Chile), especializado no diálogo entre Teologia e Ciências Humanas, onde também ensinou. Foi o primeiro Director do Centro de Teologia/Ciência das Religiões e da Licenciatura em Ciência das Religiões, da Universidade Lusófona.
Dirige a colecção Nova Consciência do Círculo de Leitores. Todos os livros têm prefácio seu.
Depois de crónicas regulares no Sempre Fixe e na Luta, mantém, desde 1992, uma coluna semanal no Público, dedicada à análise do fenómeno religioso no mundo contemporâneo.
Foi-lhe dedicado o nº2, do Ano I (2002), da Revista Portuguesa de Ciência das Religiões.
O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, conferiu-lhe o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, a 25 de Abril de 2004.
Foi-lhe atribuída a medalha de Ouro de Reconhecimento e Mérito, por despacho conjunto da Administração e da Reitoria da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, de 19 de Janeiro de 2005 e foi entregue em Sessão Solene no dia da Universidade, a 19 de Março de 2005. 
Foi agraciado, pela Assembleia da República, com o Prémio dos Direitos Humanos, juntamente com Dr. Levi Baptista, como membros da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, a 12 de Dezembro de 2010.
Foi-lhe atribuído o Prémio Ângelo d’Almeida Ribeiro pela Comissão dos direitos Humanos da Ordem dos Advogados, a 12 de Dezembro de 2010.
Membro Externo da Assembleia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Membro do Conselho de Ética e do Conselho Cultural do ISPA – Instituto Universitário; Membro da Academia Pedro Hispano, Membro do Conselho Geral da Universidade do Porto.

Tem muita colaboração dispersa por obras de conjunto e por várias revistas (Igreja e Missão; Brotéria; Communio; Seara Nova; Reflexão Cristã; Ler; etc.) e em vários jornais, assim como uma vasta participação em Congressos e Semanas de Estudo nacionais e internacionais. Foi co-fundador dos Cadernos Afrontamento (Porto), do Boletim ISET (1972-1975) e do Boletim Reflexão Cristã. Dirigiu os Cadernos de Estudos Africanos, onde publicou vários estudos.

 Algumas obras publicadas:
 
S. Tomás; Sto Alberto; Sta Catarina in Cadernos Teológicos, Série II, N 1, ISTA, 1980 
Verdade e Ambiguidades da Inculturação Missionária, in Igreja e Missão, Cucujães, 1984;
A Religião dos Portugueses, Figueirinhas, Porto, 1988; nova edição corrigida e aumentada por Temas e Debates em 2018. 
A Humanidade de Deus, Figueirinhas, Porto, 1995;
A Igreja e a Liberdade, Figueirinhas, Porto, 1997;
A Religião e a Política, Ass. "Palha de Abrantes”, 1988;
As Religiões e a Cultura da Paz, Prefácio de Jorge Sampaio, Figueirinhas, Porto, 2002.
As Religiões e a Cultura da Paz, 2º Volume, Prefácio de Lídia Jorge, Figueirinhas, Porto, 2004.
Religião Popular e Fátima, in Desafios à Igreja de Bento XVI, Casa das Letras, Ed. Notícias, pp 205-215, 2005
Frei Bento Domingues e o Incómodo da Coerência, Livro de Homenagem, Paulinas, 2012
O Mundo que falta fazer, Temas e Debates, 2013
A Insurreição de Jesus, Temas e Debates, 2014
O bom humor de Deus, Temas e Debates, 2015
Francisco. O Papa que põe a Igreja a mexer, 2016
Alguns estilos de prática teológica extra-universitária em Portugal, in Didaskalia XLVI (2016) II. 91-97
A Religião dos Portugueses, testemunhos do tempo presente, Temas & Debates, 2018

  • Horário21h30 - 23h00
  • Dias19 SET 2019

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